O VIOLÃO

O VIOLÃO
o mais popular de todos os instrumentos

AOS AMANTES DO VIOLÃO E DA MÚSICA

10 RAZÕES SAUDÁVEIS para
se tocar violão.
1) Seu Humor SEMPRE lá em cima - Tocar Violão reativa o
bom humor
2) Estresse lá embaixo - Foi comprovado cientificamente que
tocar violão como entretenimento torna as pessoas menos
estressadas.
3) Desempenho escolar nota 10 - Alunos de ensino médio que
estudam violão têm melhores resultados na escola. Segundo
pesquisas recentes feita nos Estados Unidos.
4) Mais saúde e Auto-Estima - Médicos apoiam o uso da
música como forma de reativar (melhorar) a auto-estima e
colaborar para a recuperação de doenças graves.
5) Racicínio Elevado - Estudos da Universidade da
Califórnia mostram que após oito meses de lições de violão,
crianças obtiveram alta de 46% no raciocínio espacial.
6) Fazer novos amigos - Tocar violão promove o
relacionamento social, por meio de atividades em grupo, na
comunidade, em sua igreja, entre amigos, reuniões etc.
7) Superar desafios - Aprender a tocar violão estimula a
superação de desafios.
8) Estimula a criatividade - A prática diária estimula o
desenvolvimento de nossa criatividade.
9) Ser jovem para sempre - Tocar violão possibilita o
relacionamento entre pessoas de diferentes idades pelo
mesmo objetivo. Melhorando principalmente relações
familiares.
10) Cérebro desenvolvido - Pessoas que tocam algum
instrumento compreendem melhor a matemática, literatura,
contagens de espaço e tempo, entre outros.
Todas as RAZÕES para tocar violão são resultados de um
Estudo feito recentemente pela universidade da
Califórnia EUA.
Fonte: Revista Música & Mercado FEV 2007

quarta-feira, 23 de junho de 2010

TRADUZIR-SE, de Ferreira Gullar


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Chuva Interior, de Mario Chamie


Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.
Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.
Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.
Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.
Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.”


 

terça-feira, 22 de junho de 2010

O Vampiro, de Charles Baudelaire


Tu que, como uma punhalada,
Entraste em meu coração triste;
Tu que, forte como manada
De demônios, louca surgiste,

Para no espírito humilhado
Encontrar o leito e o ascendente;
- Infame a que eu estou atado
Tal como o forçado à corrente,
Como ao baralho o jogador,
Como à garrafa o borrachão,
Como os vermes a podridão,
- Maldita sejas, como for!
Implorei ao punhal veloz
Que me concedesse a alforria,
Disse após ao veneno atroz
Que me amparasse a covardia.
Ah! pobre! o veneno e o punhal
isseram-me de ar zombeteiro:
"Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro.
Ah! imbecil - de teu retiro
Se te livrássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!"

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Bênção, de Charles Baudelaire

Quando, por uma lei das supremas potências,
O Poeta se apresenta à platéia entediada,
Sua mãe, estarrecida e prenhe de insolências,
Pragueja contra Deus, que dela então se apiada:
"Ah! Tivesse eu gerado um ninho de serpentes,
Em vez de amamentar esse aleijão sem graça!
Maldita a noite dos prazeres mais ardentes
Em que meu ventre concebeu minha desgraça!
Pois que entre todas neste mundo fui eleita
Para ser o desgosto de meu triste esposo,
E ao fogo arremessar não posso, qual se deita
Uma carta de amor, esse monstro asqueroso,
Eu farei recair teu ódio que me afronta
Sobre o instrumento vil de tuas maldições,
E este mau ramo hei de torcer de ponta a ponta,
Para que aí não vingue um só de teus botões!"
Ela rumina assim todo o ódio que a envenena,
E, por nada entender dos desígnios eternos,
Ela própria prepara ao fundo da Geena
A pira consagrada aos delitos maternos.
Sob a auréola, porém, de um anjo vigilante,
Inebria-se ao sol o infante deserdado,
E em tudo o que ele come ou bebe a cada instante
Há um gosto de ambrosia e néctar encarnado.
Às nuvens ele fala, aos ventos desafia
E a via-sacra entre canções percorre em festa;
O Espírito que o segue em sua romaria
Chora ao vê-lo feliz como ave da floresta.
Os que ele quer amar o observam com receio,
Ou então, por desprezo à sua estranha paz,
Buscam quem saiba acometê-lo em pleno seio,
E empenham-se em sangrar a fera que ele traz.
Ao pão e ao vinho que lhe servem de repasto
Eis que misturam cinza e pútridos bagaços;
Hipócritas, dizem-lhe o tato ser nefasto,
E se arrependem pó haver cruzado os passos.
Sua mulher nas praças perambula aos gritos:
"Pois se tão bela sou que ele deseja amar-me,
farei tal qual os ídolos dos velhos ritos,
e assim, como eles, quero inteira redourar-me;
E aqui, de joelhos, me embebedarei de incenso,
De nardo e mirra, de iguarias e licores,
Para saber se desse amante tão intenso
Posso usurpar sorrindo os cândidos louvores.
E ao fatigar-me dessas ímpias fantasias,
Sobre ele pousarei a tíbia e férrea mão;
E minhas unhas, como as garras das Harpias,
Hão de abrir um caminho até seu coração.
Como ave tenra que estremece e que palpita,
Ao seio hei de arrancar-lhe o rubro coração,
E, dando rédea à minha besta favorita,
Por terra o deitarei sem dó nem compaixão!"
Ao céu, de onde ele vê de um trono a incandescência,
O Poeta ergue sereno as suas mãos piedosas,
E o fulgurante brilho de sua vidência
Ofusca-lhe o perfil das multidões furiosas:
"Bendito vós, Senhor, que dais o sofrimento,
esse óleo puro que nos purga as imundícias
como o melhor, o mais divino sacramento
e que prepara os fortes às santas delícias!
Eu sei que reservais um lugar para o Poeta
Nas radiantes fileiras das santas Legiões,
E que o convidareis à comunhão secreta
Dos Tronos, das Virtudes, das Dominações.
Bem sei que a dor é nossa dádiva suprema,
Aos pés da qual o inferno e a terra estão dispersos,
E que, para talhar-me um místico diadema,
Forçoso é lhes impor os tempos e universos.
Mas nem as jóias que em Palmira reluziam,
As pérolas do mar, o mais raro diamante,
Engastados por vós, ofuscar poderiam
Este belo diadema etéreo e cintilante;
Pois que ela apenas será feita de luz pura,
Arrancada à matriz dos raios primitivos,
De que os olhos mortais, radiantes de ventura,
Nada mais são que espelhos turvos e cativos!".

domingo, 20 de junho de 2010

Édipo - Discurso de Édipo contra Tirésias, de Sófocles

Ó riqueza, poder, sabedoria
-quanta inveja trazeis em vosso bojo!
Só por causa de todo este poder
que a cidade depôs em minhas mãos,
dádiva quando eu menos esperava,
Creonte, um velho amigo tão leal,
lança-se de emboscada contra mim,
pronto a me derrubar, com um intrigante,
falso ledor da sorte, subornado,
que só tem olhos para o seu proveito
e em seu ofício é totalmente cego!
-Quando foi que provaste ser vidente?
Por que, quando rondava por aqui
a Esfinge ruminando cantilenas,
nuinca tiveste nem uma palavra
de devolvesse a liberdade ao povo?
O enigma pelo menos não seria
para qualquer passante desvendar:
era preciso o dom de um adivinho...
E não deste sinal de possuí-lo,
nem pelas aves nem pelos deuses.
Eu, Édipo, sem nada saber,
logo ao chegar fiz a Esfinge calar:
deslindei a questão pela razão,
nem foi preciso consultar teus pássaros!
E agora tu me queres afastar,
talvez pensando apenas em ficar
mais próximo do trono de Creonte?
Creio que tu e quem tramou tudo isto
ainda lamentareis o falso empenho
na purificação desta cidade...
Não parecesses tu assim tão velho,
já à tua própria custa aprenderias
aonde pode levar a felonia!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Simonal

Simonal era maior que Roberto

ALCEU MAYNARD
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No início da década de 1970, Wilson Simonal acusado de ser o mandante do sequestro e tortura de seu contador, foi estigmatizado como da ditadura militar - e, oficiosamente, acabou condenado ao ostracismo artístico até morrer em 2000, corroído pelo álcool, pela depressão e pelo esquecimento do público. Simonal era culpado ou inocente? Dedo-duro ou vítima de difamação movida por rancor, inveja, racismo?

O jornalista Ricardo Alexandre mergulhou na história de Wilson Simonal. Foram mais de 10 anos de pesquisa, aproximadamente 300 entrevistas e mais de 100 personagens entrevistados, além de acesso a diversos documentos oficiais e conversas com familiares: “para conseguir entender tudo o que aconteceu com Wilson Simonal, tem que conhecer os pais deles, a desestrutura familiar, a idolatria por um pai que não conheceu”, afirma o jornalista nesta entrevista.

Mas esta desestrutura familiar não impediu de levar ao estrelato um garoto pobre, filho de mãe empregada doméstica despontar no inicio da década de 1960, chegando a orquestrar uma platéia de 30 mil espectadores em um show no Maracanãzinho. Nesta mesma década, Simonal rivalizava apenas com Roberto Carlos em termos de popularidade: “o quão grande Simonal realmente foi há indícios no livro, mas como a gente não tem paradas de sucesso no Brasil, sequer a gente tinha disco de ouro, como agente não tinha medição correta de vendas de discos, é um terreno pantanoso para grandes afirmações, mas o livro dá a entender de que ele era maior que Roberto Carlos com segurança” conta Ricardo.

Mas como um artista tão popular, ainda em nosso dias gera discursos tão carregados de paixão ou ódio? Teria Wilson Simonal colaborado com o DOPS de maneira acidental, ingenuamente? “a leitura que eu tenho, e isso eu posso falar sem estragar a surpresa, e ela é muito embasada e esta no livro é que o Simonal de fato se acreditava inatingível politicamente; esses negócio de esquerda ou direita é pra vocês que vendem 30, 50 mil discos, eu sou um astro, estou muito maior do que estas discussões. E muitas coisas que aconteceram com Simonal tinham interesses comerciais...”

Mas para o autor, o acaso também teve contribuição para esta polêmica na vida do cantor. Ele teria se unido a pessoas erradas, tomado uma decisão errada e sua defesa o arrastava para situações mais complicadas tornado-o um personagem não muito querido a rodas intelectuais do Brasil: “artistas que são perseguidos por ser negro, tem bastante, artistas que são espezinhados por se envolverem com publicidade, tem bastante, artistas que cometem crimes, atropelam pessoas, tem bastante, artistas que imprensa pega no pé porque fazem muito sucesso, também tem bastante, e artistas que não sabem se defender  na mídia, tem bastante, mas gente que reúna todas estas características acho que só tem o Simonal, e que de certa maneira não soube administrar isso porque de certa maneira carregou cicatrizes emocionais que o livro conta bem e que na minha visão foi o fator preponderante para que ele não conseguisse dar a volta por cima”, conta o jornalista.

O primeiro pop star negro do Brasil se tornou um símbolo, e travou uma obsessiva batalha para provar sua inocência até seus últimos dias de vida, em abril de 2000 em um quarto do hospital Sírio-Libanês.
 

segunda-feira, 24 de maio de 2010