Simonal era maior que Roberto
ALCEU MAYNARD
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No início da década de 1970, Wilson Simonal acusado de ser o mandante do sequestro e tortura de seu contador, foi estigmatizado como da ditadura militar - e, oficiosamente, acabou condenado ao ostracismo artístico até morrer em 2000, corroído pelo álcool, pela depressão e pelo esquecimento do público. Simonal era culpado ou inocente? Dedo-duro ou vítima de difamação movida por rancor, inveja, racismo?
O jornalista Ricardo Alexandre mergulhou na história de Wilson Simonal. Foram mais de 10 anos de pesquisa, aproximadamente 300 entrevistas e mais de 100 personagens entrevistados, além de acesso a diversos documentos oficiais e conversas com familiares: “para conseguir entender tudo o que aconteceu com Wilson Simonal, tem que conhecer os pais deles, a desestrutura familiar, a idolatria por um pai que não conheceu”, afirma o jornalista nesta entrevista.
Mas esta desestrutura familiar não impediu de levar ao estrelato um garoto pobre, filho de mãe empregada doméstica despontar no inicio da década de 1960, chegando a orquestrar uma platéia de 30 mil espectadores em um show no Maracanãzinho. Nesta mesma década, Simonal rivalizava apenas com Roberto Carlos em termos de popularidade: “o quão grande Simonal realmente foi há indícios no livro, mas como a gente não tem paradas de sucesso no Brasil, sequer a gente tinha disco de ouro, como agente não tinha medição correta de vendas de discos, é um terreno pantanoso para grandes afirmações, mas o livro dá a entender de que ele era maior que Roberto Carlos com segurança” conta Ricardo.
Mas como um artista tão popular, ainda em nosso dias gera discursos tão carregados de paixão ou ódio? Teria Wilson Simonal colaborado com o DOPS de maneira acidental, ingenuamente? “a leitura que eu tenho, e isso eu posso falar sem estragar a surpresa, e ela é muito embasada e esta no livro é que o Simonal de fato se acreditava inatingível politicamente; esses negócio de esquerda ou direita é pra vocês que vendem 30, 50 mil discos, eu sou um astro, estou muito maior do que estas discussões. E muitas coisas que aconteceram com Simonal tinham interesses comerciais...”
Mas para o autor, o acaso também teve contribuição para esta polêmica na vida do cantor. Ele teria se unido a pessoas erradas, tomado uma decisão errada e sua defesa o arrastava para situações mais complicadas tornado-o um personagem não muito querido a rodas intelectuais do Brasil: “artistas que são perseguidos por ser negro, tem bastante, artistas que são espezinhados por se envolverem com publicidade, tem bastante, artistas que cometem crimes, atropelam pessoas, tem bastante, artistas que imprensa pega no pé porque fazem muito sucesso, também tem bastante, e artistas que não sabem se defender na mídia, tem bastante, mas gente que reúna todas estas características acho que só tem o Simonal, e que de certa maneira não soube administrar isso porque de certa maneira carregou cicatrizes emocionais que o livro conta bem e que na minha visão foi o fator preponderante para que ele não conseguisse dar a volta por cima”, conta o jornalista.
O primeiro pop star negro do Brasil se tornou um símbolo, e travou uma obsessiva batalha para provar sua inocência até seus últimos dias de vida, em abril de 2000 em um quarto do hospital Sírio-Libanês.
O jornalista Ricardo Alexandre mergulhou na história de Wilson Simonal. Foram mais de 10 anos de pesquisa, aproximadamente 300 entrevistas e mais de 100 personagens entrevistados, além de acesso a diversos documentos oficiais e conversas com familiares: “para conseguir entender tudo o que aconteceu com Wilson Simonal, tem que conhecer os pais deles, a desestrutura familiar, a idolatria por um pai que não conheceu”, afirma o jornalista nesta entrevista.
Mas esta desestrutura familiar não impediu de levar ao estrelato um garoto pobre, filho de mãe empregada doméstica despontar no inicio da década de 1960, chegando a orquestrar uma platéia de 30 mil espectadores em um show no Maracanãzinho. Nesta mesma década, Simonal rivalizava apenas com Roberto Carlos em termos de popularidade: “o quão grande Simonal realmente foi há indícios no livro, mas como a gente não tem paradas de sucesso no Brasil, sequer a gente tinha disco de ouro, como agente não tinha medição correta de vendas de discos, é um terreno pantanoso para grandes afirmações, mas o livro dá a entender de que ele era maior que Roberto Carlos com segurança” conta Ricardo.
Mas como um artista tão popular, ainda em nosso dias gera discursos tão carregados de paixão ou ódio? Teria Wilson Simonal colaborado com o DOPS de maneira acidental, ingenuamente? “a leitura que eu tenho, e isso eu posso falar sem estragar a surpresa, e ela é muito embasada e esta no livro é que o Simonal de fato se acreditava inatingível politicamente; esses negócio de esquerda ou direita é pra vocês que vendem 30, 50 mil discos, eu sou um astro, estou muito maior do que estas discussões. E muitas coisas que aconteceram com Simonal tinham interesses comerciais...”
Mas para o autor, o acaso também teve contribuição para esta polêmica na vida do cantor. Ele teria se unido a pessoas erradas, tomado uma decisão errada e sua defesa o arrastava para situações mais complicadas tornado-o um personagem não muito querido a rodas intelectuais do Brasil: “artistas que são perseguidos por ser negro, tem bastante, artistas que são espezinhados por se envolverem com publicidade, tem bastante, artistas que cometem crimes, atropelam pessoas, tem bastante, artistas que imprensa pega no pé porque fazem muito sucesso, também tem bastante, e artistas que não sabem se defender na mídia, tem bastante, mas gente que reúna todas estas características acho que só tem o Simonal, e que de certa maneira não soube administrar isso porque de certa maneira carregou cicatrizes emocionais que o livro conta bem e que na minha visão foi o fator preponderante para que ele não conseguisse dar a volta por cima”, conta o jornalista.
O primeiro pop star negro do Brasil se tornou um símbolo, e travou uma obsessiva batalha para provar sua inocência até seus últimos dias de vida, em abril de 2000 em um quarto do hospital Sírio-Libanês.
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