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| nat king cole |
Introdução: Jazz para todos
Se
você é um daqueles que ainda encaram o jazz como um gênero musical difícil de
assimilar, é bem provável que comece a mudar de opinião ao escutar os CDs incluídos
nos primeiros volumes desta coleção, Não se espante se, depois de apreciar
algumas das gravações de Louis Armstrong, Charlíe Parker, Art Blakey, Ella
Fitzgerald ou Chet Baker, entre outros, você perceber que a aparente
dificuldade de penetrar no universo do jazz deixou de assustá-lo.
Ninguém
precisa fazer parte de um seleto clube de Iniciados, nem saber ier partituras,
para curtir a música de um Nat King Cole ou de um Herbíe Hancock, O jazz é
acessível a qualquer um que, simplesmente, goste de música e tenha abertura e
curiosidade suficientes para ampliar seu conhecimento, Claro
que alguns dos diversos estilos do jazz são mais complexos
do que os
gêneros musicais que costumamos ouvir diariamente nas rádios, como o pop ou o rock, mas a máor parte do repertório cio jazz é bastante acesswel a
qualquer ouvinte.
' O trompetista norte-americano Wynton Mar- salis e seu irmão saxofonista Branford, dois dos músicos de jazz mais badalados nos anos 80 e 90, nunca esconderam em suas entrevistas
que preferiam ouvir funk ou rock quando ainda eram adolescentes. Apesar de pertencerem a uma tradicional
família de músicos de Nova Orleans e de terem crescido ouvindo jazz com freqüência, eles resistiam, inicialmente, a assistir concertos de jazzistas, Como outros garotos e jovens de sua geração, na década de 70, os irmãos
Marsalis sentiam falta do apelo visual, da dança ou mesmo das letras das canções
tão comuns nos shows de música pop,
Wynton conta que essa dificuldade inicial se rompeu por volta de seus 12
aros. Um dia, ao ouvir o saxofonista John Coltrane tocar
Cousin Mary (composição que faz parte do influente álbum
Giant Steps, gravado em 1959), sentiu algo parecido com uma revelação.
Foi como se ele tivesse obtido o código para abrir um cofre com um segredo
valioso, No texto de apresentação desse disco, em depoimento ao jornalista Nat
Hentoff, Coltrane explicava que o título da música referia-se à sua prima Mary, "uma pessoa muito simples, amistosa e
alegre", cujo modo de ser ele tentou descrever por meio dessa composição,
Por isso, Coltrane optou pela simplicidade da estrutura harmônica de um blues tocado em ritmo animado.

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